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Marcio Selles é o coordenador da orquestra, a qual é constituída por adolescentes da Comunidade Grota do Surucucu em Niterói no Rio de Janeiro |
1. Como surgiu essa vontade de trabalhar com meninos de comunidade?
Na verdade quem começou isso aqui foi minha mãe. Ela começou trabalhando com reforço escolar, como professora primária, não de música, na garagem de nossa casa no interior de São Pulo. E aí quando ela veio para o Rio, quis abrir um curso profissionalizante, e ela costurava, conseguiu então colocar umas máquinas de costura. Tem uns vinte anos... Esse terreno aqui, essa casa aqui é em comodato com o Estado e no ano de 2002 a gente criou uma ONG para dar uma sustentabilidade ao projeto. |
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2. Como foi introduzir instrumentos e estilos musicais que parecem ser tão pouco familiar a eles?
A cultura européia está em tudo da gente. Porque nós fomos colonizados por portugueses, então a gente tem influência externa, não só a européia como a dos EUA. Uma vez falaram que o tema da nona sinfonia é comparada como uma marca, como a Coca-cola, a Marilyn Monroe, uma coisa que todo mundo conhece, em qualquer lugar que você vá. Então tem coisas que a gente gosta de imediato e tem coisas que a gente leva um tempo para gostar. Então a gente dá a chance deles ouvirem, tem uns que ouvem uma, duas vezes e gostam, tem outros que não gostam. A música cativa, ela seduz. Ninguém precisa ver o anúncio do sabonete para ouvir que “as quatro estações” de Vivaldi é linda. A música desenvolve na pessoa esse interesse. Você dá a chance. Melhor do que você ouvir é você tocar! |
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3. Como é a seleção para participar da orquestra?
Aqui a gente aceita todo mundo, não tem seleção. Atendemos a todos da Comunidade, a seleção é socio-econômica e eles começam com a flauta doce, começam a ler partitura, começam a desenvolver a motricidade fina e tudo dura uns seis meses e depois escolhem os instrumentos.
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4. Os instrumentos são adiquiridos de que forma? O projeto tem patrocínio?
Aqui a gente nunca ficou sem violino para atender. A gente vai ganhando, vai conseguindo uma verba, onde os alunos fazem apresentações e aí a gente vai adquirindo cordas, cavaquinho, como a gente tá agora com 10 cavaquinhos, umas estantes também. Violão a gente tem ganhado muito.
Os instrumentos eles levam para casa de acordo com a afinidade que eles tem com o instrumento e os laços que eles forem criando aqui conosco. E eles são responsáveis pelo instrumento. A gente tem um compromisso. |
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5. Como você observa os alunos de um modo geral na questão comportamental, emocional e social?
A cidadania, como a gente fala em questão de você visitar o teatro municipal, a biblioteca Nacional, ou seja de espaços públicos não é para todo mundo, deveria ser mas não é. Ou seja a cidadania não atinge todo mundo. Uma vez a gente foi a um concerto no Teatro Municipal e os caras lá que pegavam os ingressos ficavam de sacarsmo: "esses aí são 0800", debochando da gente porque nós éramos a maioria negros de classe pobre. Então isso tudo é o que dificulta. Mas quando eles vão tocar, no Teatro Municipal, No Museu Villa Lobos, eles são recebidos de outra forma. Não são recebidos mal. Então perante a sociedade passam a ser olhados de outra forma, não são olhados como o bandido em potencial.
Muitas vezes o porteiro tem a mesma condição social deles também. Como ele acaba convivendo com uma sociedade chique, granfina, acaba se achando chique e granfino também. Ser querido, ser bem quisto é essencial para todos, é a melhor coisa da vida. E eles acabam ganhando mais responsabilidade. |
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6. Como se deu a gravação do CD?
Pegamos uma parte para gravar com os que estão mais avançados e uma outra parte pegamos todo mundo para que todos tivessem essa oportunidade e agente tem um patrocínio que bancou o CD. O repertório ficou o que nós achamos que saiu melhor e colocamos, tem Asa branca, tem uma peça com um arranjo dos meninos aqui, o José Carlos, colocamos umas peças clássicas, de popular temos o Zequinha de Abreu, o tico-tico no fubá e outras.
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7. Onde e como adquirir o CD?
O CD você pode adquirí-lo somente comigo. |
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| Fotos do Evento |
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Para maiores contatos e aquisição do CD da orquestra entrar em contato pelo telefone (21) 2616-2100 ou pelo e-mail marcioselles@gmail.com
Visite o link http:\\www.reciclarte.org.br
Clique aqui para fazer um dowload do vídeo da Orquestra tocando
Entrevista realizada em 10/06/2006. Entrevistadores: Cristiane Xavier, Luzamir Rangel e Sergio Chiavazzoli |
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